Recentemente fiz uma confissão no Twitter: reconheci, para minha vergonha, que nunca havia lido nada do Paulo Brabo antes do finalzinho de janeiro. Foi só depois de adquirir um exemplar de seu livro A Bacia das Almas: Confissões de um ex-dependente de igreja (São Paulo: Mundo Cristão, 2009) que vim a conhecê-lo.
Tanto maior a minha surpresa, anteontem, ao perceber uma coincidência feliz entre um texto escrito por ele e uma ênfase que coloquei numa pregação minha no ano passado. Ministrando na Comunidade Carisma sobre “O que significa amar a Deus” (em 30/8/2009), expressei minha convicção de que alguns ateus, sem saber, acabam por realizar a vontade de Deus; por priorizarem aquilo que o próprio Deus prioriza, acabavam se identificando com o filho da parábola contada por Jesus, aquele que disse ao pai que não faria sua vontade e que, depois, arrependeu-se e foi realizá-la (veja Mateus 21:28-32).
Transcrevo abaixo, com a devida citação da fonte, um texto de Paulo Brabo onde ele expressa a mesma convicção. Sei que algumas pessoas (na própria Carisma) ficaram chocadas com o que falei naquele domingo; acredito que alguns também ficaram chocados com o texto do Brabo. Seja como for, fico feliz porque essa coincidência revela, no meu entender, uma sintonia fina em termos do que realmente é importante para Deus.
“O salvador e seu próximo”
Qual os dois cumpriu a vontade do pai? (Mateus 21:31)
Paulo Brabo
“Certo salvador, depois de sua ressurreição, descia de Jerusalém quando veio a cair em mãos de cristãos salteadores que lhe roubaram tudo, causaram-lhe muitos ferimentos e deixaram-no como morto. Mas seu testamento caiu na beira da estrada, onde ficou por dois mil anos.
Certo ateu, que seguia o seu caminho, passou perto do testamento e, vendo-o, compadeceu-se, dizendo: ‘Esse era um homem bom e bem-intencionado, e suas ideias eram belas e ousadas. É injusto que seu testamento permaneça sem ser cumprido’.
E, chegando-se, tomou o testamento e levou-o consigo para sua cidade, onde cumpriu os últimos desejos do salvador nos quais não cria, atentando para eles e reparando-lhe a honra.”
(In A Bacia das Almas: Confissões de um ex-dependente de igreja. São Paulo: Mundo Cristão, 2009, p. 109.)